Entre 2 e 9 de maio de 2026, Mazatlán recebe mais uma edição do Mexi Log Fest, um dos maiores eventos de longboard do mundo. Para quem ainda não conhece o campeonato, este é o momento certo de entender o que acontece lá e por que o evento importa. E para quem acompanha a Lufi, tem uma conexão com essa história que vai mais fundo do que parece.
O que é o Mexi Log Fest?
O Mexi Log Fest nasceu em 2015 a partir de uma ideia simples e de uma frustração legítima. Israel Preciado, o Izzy, tinha 18 anos e o visto negado para competir nos Estados Unidos. Em vez de desistir, virou a lógica: se os melhores do mundo não podiam vir buscar ele, ele traria os melhores do mundo para o México.
Mais de uma década depois, o Mexi Log é exatamente isso. Mais de 160 atletas de 30 nacionalidades, um festival que mistura música, arte, yoga e clínicas de surf para crianças, e uma competição com regras que defendem a essência do longboard clássico: single fin obrigatório, sem leash, pranchas acima de 9'2" e 15 libras.
Essas regras não são capricho. Elas eliminam atalhos e colocam o surfista de volta ao que o longboard sempre foi: leitura de onda, controle do corpo, conexão com a prancha. Quem vence o Mexi Log vence surfando, não por equipamento.
O que aconteceu em 2025
A edição de 2025 aconteceu em Mazatlán, na Playa Los Pinos, durante seis dias em maio. As condições foram variadas ao longo da semana, com dias de onda pequena que testaram a leitura e o estilo dos competidores. O evento se encerrou com o mar melhorando e o dia final com sets overhead e condições limpas.
Chloe Calmon venceu o feminino e entrou para a história como a primeira surfista a ganhar o Mexi Log duas vezes. Rogelio Esquivel Jr, o Jay R, levou o masculino. E para quem conhece a Lufi, esse resultado tem um significado que vai além do pódio.
Jay R Esquivel: o campeão que tem uma prancha com o seu nome
Rogelio Esquivel Jr, o Jay R, é um surfista filipino de estilo inconfundível. Mas a conexão com a Lufi começa antes do Mexi Log, em outra viagem, em outro oceano.
Anos atrás, Lufi Bento foi às Filipinas. Mais especificamente à região de La Union, onde foi recebido pela comunidade local com aquela hospitalidade que você não esquece. Foi lá que conheceu Jay R: surfista talentoso, de alma alegre e sorriso fácil. A amizade que nasceu nessa viagem foi tão forte que Jay R entrou para a equipe Lufi.
De volta ao ateliê, Lufi desenhou um shape e batizou com o nome da região que tanto o marcou. A La Union homenageia o povo e o lugar. E o surfista que inspirou essa história acabou de ganhar um dos maiores eventos de longboard do planeta.
Playa Los Pinos: as ondas do campeonato
A Playa Los Pinos é um point break de mão esquerda que percorre toda a extensão da praia até a baía, com fundo rochoso e ondas que chegam com swell de longo período vindo do sudoeste. É o tipo de onda que o longboard clássico pede: entrada suave, parede que se estende por uma distância generosa e velocidade consistente o suficiente para trabalhar a prancha sem pressa.
Não é uma onda que cobra. É uma onda que convida. Você entra, encontra o trimming, caminha até o nose e tem tempo para fazer tudo com calma. O que varia é o tamanho: em algumas edições o mar chega generoso, em outras, como parte do Mexi Log 2025, os dias de onda pequena colocam os surfistas à prova de uma forma diferente. Estilo não depende de tamanho de onda.
Qual prancha Lufi para ondas como as de Los Pinos?
Uma onda de point break longa, limpa e com parede consistente pede um longboard que aproveite cada seção sem forçar nada. É o dia para deslizar, não para cobrar.
A La Union é a resposta mais direta, e a conexão é quase poética. O shape de pig com rabeta square, borda 50/50 e concave do nose até o meio foi desenvolvido para exatamente esse tipo de onda: noserides técnicos, curvas expressivas pelo balanço do corpo, surf de linha longa com muito estilo. Em uma parede como a de Los Pinos, a La Union vai do trimming ao hang ten sem esforço.
O California Dream também se encaixa bem. O outline californiano com rabeta mais estreita entrega transições rápidas de borda a borda e estabilidade no nose, o que é vantagem em uma onda com parede mais comprida onde você tem tempo de trabalhar a prancha inteira.
Para quem quer um pouco mais de versatilidade sem abrir mão do deslize, a Noosa Secret é outra opção. Desenvolvida após uma temporada em Noosa Heads, na Austrália, uma das point breaks mais clássicas do mundo, o shape foi feito para esse tipo de pico: all-around, fácil de surfar em qualquer posição da onda.
Uma praia brasileira com esse espírito
Se você quer sentir algo próximo ao que Los Pinos entrega, a Praia do Silveira em Garopaba, Santa Catarina, é a referência mais próxima no Brasil. Point break de fundo rochoso, ondas com parede longa e condições que já renderam o título de World Surf Reserve pela Save The Waves Coalition.
A Silveira não entrega Los Pinos o ano inteiro, mas nos dias bons de inverno, quando o swell do sul chega organizado e os ventos estão favoráveis, a parede que se abre ali tem o mesmo espírito: generosa, limpa e feita para longboard.
Por que acompanhar o Mexi Log 2026
O Mexi Log não é só um campeonato. É uma das poucas competições no mundo que defende ativamente o que o longboard sempre foi antes de virar performance: estilo, leitura de onda, conexão com o mar e comunidade.
Com Jay R na equipe Lufi e Chloe Calmon como bicampeã do evento, 2026 chega com expectativas altas. O campeonato acontece de 2 a 9 de maio, novamente na Playa Los Pinos em Mazatlán. Se você quer acompanhar de perto, segue o perfil oficial do Mexi Log no Instagram: @mexilogfest.
E se o Mexi Log te deu vontade de surfar uma onda longa com um longboard que respeite a tradição, fala com a gente pelo WhatsApp. A prancha certa faz toda a diferença.